A perfuração de poço tubular profundo (popularmente "poço artesiano") segue 8 etapas técnicas obrigatórias regidas pela NBR 12.244 da ABNT. O custo para furar um poço de 150 m no Sudeste em 2026 fica entre R$ 52.000 e R$ 127.500, dependendo da litologia. O ciclo completo (licenças + obra) leva 60 a 90 dias, com 4 a 9 dias efetivos de campo.
O que é um poço tubular profundo (e por que virou sinônimo de "artesiano")
Poço tubular profundo é o nome técnico-normativo da ABNT para o que o brasileiro chama de poço artesiano — uma captação subterrânea construída por perfuração mecânica, com revestimento e lacre sanitário, regida pelas normas NBR 12.212 (projeto) e NBR 12.244 (construção). No vocabulário cotidiano, "artesiano" virou guarda-chuva para qualquer poço profundo; tecnicamente, só é artesiano o poço cujo aquífero confinado tem pressão suficiente para jorrar a água acima da superfície sem bombeamento.
A confusão semântica não muda a obra: tanto faz se o aquífero é jorrante (raro no Sudeste) ou se precisa de bomba submersa (regra geral) — o processo de perfuração, o equipamento e o orçamento seguem o mesmo padrão técnico nacional e internacional.
Condomínios, indústrias e produtores rurais buscam essa solução para reduzir tarifa de água, garantir autonomia em períodos de seca e valorizar o imóvel. Em todos os casos, o ganho depende de uma decisão técnica feita antes da máquina chegar — a locação correta do ponto de perfuração.
Estudo hidrogeológico e licenciamento: o ponto de partida
O estudo hidrogeológico é o levantamento técnico que antecede a perfuração: combina mapas oficiais (CPRM/SGB, SIAGAS), prospecção geofísica em campo e modelagem do fluxo subterrâneo. O laudo resultante indica a profundidade provável do aquífero, vazão estimada, qualidade primária da água e diâmetro ideal do furo. Sem ele, perfurar é tentar a sorte com R$ 70.000.
A geofísica elétrica é a ferramenta principal de campo. A Aqua Liber utiliza dois métodos complementares: o Caminhamento Elétrico (CE — eletrorresistividade 2D, técnica primária que mapeia lateral + vertical) e a Sondagem Elétrica Vertical (SEV — eletrorresistividade 1D, complementar para validar profundidade no ponto candidato). Em nossas centenas de laudos geofísicos realizados desde 2021, o erro mais frequente que vemos no mercado é pular essa etapa por economia de R$ 8–15 mil — e descobrir, depois de R$ 70 mil em perfuração, que o ponto escolhido tem aquífero baixo ou está sobre fratura seca. Para aprofundar na ciência por trás do método, assista à playlist Ciência da Água Subterrânea — USGS traduzido no nosso canal @AquaLiber, com vídeos oficiais do USGS dublados em PT-BR. Para entender melhor o método na prática, consulte nosso guia como achar veia de água com geofísica ou a investigação geofísica de alta precisão.
São três documentos sequenciais:
- Licença Prévia (LP) — confirma que o local escolhido não conflita com áreas de preservação, redes subterrâneas ou bacias críticas.
- Licença de Instalação (LI) — autoriza a perfuração e exige memorial de cálculo assinado por geólogo com ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) no CREA.
- Outorga de direito de uso — formaliza a vazão máxima e a finalidade da água (irrigação, consumo humano, industrial). É federal (ANA) quando a captação está em bacia da União; estadual (DAEE em SP, IGAM em MG, SEMAD em GO, AGUASPARANÁ em PR) nos demais casos.
Os prazos variam de 15 a 90 dias por documento, dependendo do estado e da completude do processo. Bons projetos reservam essa "janela burocrática" no cronograma para evitar máquinas paradas no canteiro.
- "Atrasar a outorga é o erro mais caro do cronograma. Uma perfuratriz parada em obra custa o equivalente a 3 dias de operação produtiva por semana de atraso." — Equipe Técnica Aqua Liber
Para entender em detalhe a leitura do subsolo que antecede o orçamento, recomendamos o vídeo Como a "Leitura do Subsolo" se tornou o segredo para não perder dinheiro na perfuração, do canal oficial da Aqua Liber.

- Pseudosseção 2D de Caminhamento Elétrico (CE) com escala de resistividade em ohm.m, mostrando aquífero-alvo de baixa resistividade e ponto ótimo de locação em estudo hidrogeológico.
Equipamentos: o que uma perfuratriz profissional precisa ter
Três equipamentos definem uma perfuração séria: a perfuratriz hidráulica sobre esteira ou caminhão, a bomba de lama triplex e os tubos de revestimento de aço carbono. Cada um responde a uma necessidade técnica — estabilidade da parede, remoção de detritos e isolamento contra contaminação superficial.
A perfuratriz hidráulica moderna tem torre de até 12 m, mesa rotativa 360°, sistema DTH (down-the-hole hammer — martelo de fundo de furo) integrado e torque de até 14.000 N·m. Em cabine acústica selada, opera com ruído reduzido no entorno — fator decisivo em obra urbana.
A bomba de lama triplex impulsiona o fluido bentonítico que estabiliza paredes em formação sedimentar e remove cascalho. Em poço de 240 m em terreno misto, vazão típica é de 450 L/min e o pH do fluido fica entre 9 e 10 para preservar a estabilidade da bentonita; soluções com polímeros são eficientes e bem-vindas como complemento.
Os tubos de revestimento em aço carbono ASTM A53 sustentam a coluna do poço e isolam camadas contaminadas. A NBR 12.244 exige cementação do anular (espaço entre tubo e parede do furo) com pasta de cimento API classe G — esse é o lacre sanitário, padrão técnico internacional. O British Geological Survey, na orientação técnica oficial do Reino Unido, exige o mesmo: tubo ancorado pelo menos 5 m abaixo do topo da rocha, com cimentação efetiva (Borehole drilling and deposit guidance — BGS, 2024).
As 8 etapas da perfuração de poço tubular
Depois que a sonda estaciona no ponto locado, o processo segue um roteiro técnico previsível, em oito fases obrigatórias:
- Arranque mecânico — instalação do tubo condutor superficial (≈ 6 m) para estabilizar o acesso e proteger o solo de cobertura.
- Perfuração intermediária — avanço até 20 m acima do aquífero com circulação direta de lama, removendo cascalho.
- Perfuração em rocha — entrada do martelo DTH quando o maciço cristalino ou basáltico aparece; aqui a taxa de penetração cai e o desgaste de broca aumenta.
- Colocação do revestimento — seção a seção, com centralizadores a cada 6 m, garantindo verticalidade.
- Cementação — injeção de pasta API classe G em contrafluxo (1,5 MPa) para selar contaminantes superficiais. É o lacre sanitário.
- Desenvolvimento — jateamento ar-água ou pistoneamento para expulsar finos do entorno da entrada do aquífero.
- Bombeamento de teste — 24 h operando a 125% da vazão prevista, monitorando rebaixamento. É o que define a vazão de outorga e a especificação da bomba submersa.
- Cloração e lacre sanitário — 50 mg/L de cloro livre por 12 h antes da coleta de amostras para análise físico-química e microbiológica.

- Corte vertical didático de poço tubular profundo conforme ABNT NBR 12.244, mostrando laje sanitária, cimentação anular API, classe G, tubo de revestimento, filtro telado no aquífero-alvo e tubo de decantação
Pular qualquer dessas etapas — especialmente a 5 (cementação) e a 7 (bombeamento de teste) — economiza 3 a 5% no orçamento e compromete a vida útil do poço de forma permanente.
Quanto tempo leva para perfurar um poço artesiano?
Sem contratempos, um poço de 180 m em terreno sedimentar misto leva de 4 a 7 dias de campo. Se a sondagem entrar em rocha maciça, somam-se mais dois dias. Desenvolvimento e ensaios adicionam 24 a 48 h. Quando se inclui estudo hidrogeológico prévio e licenças, o ciclo completo fica entre 60 e 90 dias.
A taxa de penetração varia drasticamente conforme a litologia atravessada:
| Litologia | Taxa de penetração (m/dia) | Equipamento dominante |
|---|---|---|
| Solo arenoso | 35–45 | Circulação direta + lama |
| Argila compacta | 18–35 | Circulação direta |
| Basalto fraturado | 30–70 | Alternância circulação / DTH |
| Rocha cristalina maciça | 6–10 | DTH + broca diamantada |
Nota: os valores variam conforme diâmetro do furo, peso sobre a broca, torque aplicado e estado da ferramenta. A diferença de 6x entre arenito e cristalino maciço é o que multiplica o R$/metro nas regiões com embasamento próximo da superfície.
Três variáveis ditam o cronograma para além da litologia:
- Acesso e logística — estradas estreitas limitam o tamanho da perfuratriz. Condomínio urbano com portão de 2,8 m exige torre modular montada in loco; propriedade rural com acesso íngreme pede 4×4 e plataforma nivelada de 10 × 15 m.
- Trâmites legais — atraso na outorga paralisa a obra mesmo com máquina pronta. Outorga digital tende a sair em 21 dias; protocolo físico, em 45 dias. Escritório especializado em licenciamento ambiental antecipa pendências e reduz retrabalho.
- Janela climática — em regiões de chuva concentrada (Sul e Norte), evitar perfuração no auge da estação úmida reduz interrupções de obra.
Quanto custa para furar um poço? Estrutura de preços 2026
O custo para furar um poço combina mobilização da sonda, tarifa por metro, materiais e ensaios técnicos. No Sudeste em 2026, um poço de 150 m custa entre R$ 52.000 e R$ 127.500, com a faixa exata determinada por três variáveis: litologia atravessada, profundidade do selo sanitário e acessibilidade do terreno. O preço por metro varia de R$ 350 a R$ 850, com o custo final ditado pela necessidade (ou não) de revestimento integral ao longo de toda a coluna do poço.
A faixa de mercado é consistente com estimativas públicas de 2026, como o levantamento Olhar Digital de abril/2026 que indica R$ 25k–80k para poços rasos (80–100 m) em geral. Em nossos orçamentos típicos no Sudeste, a faixa por tipo de terreno em 2026 é:
| Cenário | R$/metro | Poço de 150 m |
|---|---|---|
| Sedimentar puro (Bauru, Guarani) | R$ 550–850 | R$ 82k–127k |
| Misto (sedimentar + cristalino raso) | R$ 400–650 | R$ 60k–98k |
| Cristalino maciço (granito/gnaisse) | R$ 350–500 | R$ 52k–75k¹ |
¹ Em cristalino, raramente compensa ir além de 120–180 m: fraturas rareiam e o custo por m³/h de vazão sobe muito. A inversão da faixa em relação ao sedimentar se explica porque o cristalino dispensa revestimento e filtros ao longo de toda a coluna — a rocha "se sustenta" — enquanto o aquífero sedimentar exige tubulação contínua, que é o item mais caro do orçamento.

- Faixas de custo de perfuração no Sudeste em 2026 segmentadas por litologia. Sedimentar é o MAIS caro (exige revestimento integral); cristalino é o MAIS barato (rocha se sustenta). Dado proprietário Aqua Liber cruzado com referências públicas (Olhar Digital, abr/2026).
O orçamento se decompõe em seis itens principais:
- Mobilização/desmobilização — transporte, guincho e seguro da sonda: R$ 8.000 a R$ 12.000.
- Tarifa de perfuração — valor unitário (R$/m) multiplicado pela profundidade efetiva. Maior peso no orçamento.
- Revestimento e centralizadores — tubos ASTM A53, soldas e teste de estanqueidade.
- Cimentação — cimento API classe G, aceleradores e densificantes para o lacre sanitário.
- Ensaios — perfilagem geofísica, bombeamento de teste de 24 h, análise físico-química e microbiológica.
- Documentação pós-obra — as-built, laudo geológico, ART do projeto e protocolo de fechamento de obra junto ao órgão ambiental.
Para entender as decisões técnicas que separam um poço barato-e-frustrante de um poço durável, baixe o baixe o ebook gratuito — 13 capítulos cobrindo locação CE+SEV, NBR 12.212/12.244 e cronograma real de obra. Para a tabela atualizada por região, veja também nosso post Poço artesiano preço 2026 — tabela de custos atualizada.
- "O custo de um poço nasce do território, não da perfuratriz. Quem vê só o preço por metro está olhando o último capítulo do livro." — Equipe Técnica Aqua Liber, hidrogeólogos com 15+ anos de experiência
Perfuração em rocha cristalina: custos extras e mitigação
Perfurar basalto, gnaisse ou granito traz dois desafios cumulativos: brocas diamantadas desgastam-se rapidamente e a taxa de penetração cai de 6 a 10 vezes em relação a arenito, em alguns casos. O orçamento sobe entre 18 e 32%. Vibrações da operação podem impactar fundações próximas — fator crítico em obra urbana.
A mitigação técnica é conhecida: sismógrafos de superfície monitorando aceleração durante a operação, almofadas de borracha sob a torre da perfuratriz para amortecer vibração, e proibição de operação noturna em zonas residenciais. Em condomínios na região metropolitana de São Paulo, esses três cuidados costumam ser pré-requisito da Licença de Instalação. Em cidades com embasamento cristalino próximo à superfície, como Belo Horizonte, a previsibilidade do orçamento é menor — veja nosso guia regional sobre poço artesiano em BH: perfuração, custos e legislação.
Gestão da lama de perfuração: segurança ambiental
A lama de perfuração cumpre três funções simultâneas: refrigera a broca, carrega detritos e sustenta as paredes do furo. Contém bentonita, polímeros e — em alguns casos — pequenos traços de hidrocarbonetos do equipamento. Lançar esse material em corpos d'água é vedado pela Resolução CONAMA 430/2011 (padrões de lançamento de efluentes), e a disposição em solo deve seguir a Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305/2010) e normas estaduais (CETESB em SP, INEA no RJ, IGAM em MG).
O padrão técnico é construir bacias de decantação no canteiro, fazer desaguamento da fase sólida com geossintético e reusar a água clarificada no próprio fluido — corte de até 40% no consumo hídrico da obra e zero descarte irregular.
Como escolher empresa de perfuração: checklist
O setor brasileiro de perfuração tem muitas empresas ativas, mas uma fração significativa opera sem geólogo responsável e sem ART registrada — o que põe em risco a obra, a outorga e a saúde dos usuários. Escolher pela diferença de preço pode sair caro: ver nosso guia como escolher a melhor empresa de poços artesianos.
O checklist de contratação séria tem três pilares:
Capacitação da equipe
- Geólogo responsável com ART do CREA — não é opcional, é o que garante a validade legal do laudo e da outorga.
- Equipe certificada em NR-22 (Segurança e Saúde Ocupacional na Mineração, que regulamenta perfuração mineral terrestre, incluindo poço de água), NR-18 (canteiro de obra), NR-35 (trabalho em altura, exigida pela torre da perfuratriz) e NR-12 (segurança em máquinas).
- Reciclagem anual em primeiros socorros e segurança do trabalho.
- Solicitar certificados e currículo dos profissionais na proposta.
Histórico e cases documentados
- Relatórios técnicos das obras anteriores com profundidade, vazão final, prazo, desvio e taxa de penetração.
- Portfólio com casos em litologia similar ao do seu terreno — quem operou em arenito do Bauru tem aprendizado diferente de quem operou em cristalino do agreste.
- Fotos georreferenciadas e contatos para visita técnica.
Suporte pós-obra
- Manutenção preventiva anual com vídeo-inspeção e medição de níveis estático e dinâmico.
- Garantia de vazão mínima formalizada em contrato — tempo de resposta para assistência definido por escrito.
- Limpeza química e retrolavagem programadas quando análises físico-químicas indicarem desvio (ferro ou manganês variando mais de 2 ppm).
A Aqua Liber emite ART-CREA para cada laudo geofísico e cada projeto de poço, formaliza vazão mínima em contrato e oferece programa de manutenção com vídeo-inspeção anual — três exigências que, no nosso volume de centenas de laudos realizados, separam empresa séria de oportunista.
Garantia, manutenção e qualidade da água pós-obra
Quem perfura o poço assume responsabilidade ambiental permanente. O primeiro teste microbiológico deve ocorrer até 30 dias após a ativação; em seguida, análises físico-químicas e microbiológicas semestrais mantêm o controle de potabilidade conforme a Portaria GM/MS nº 888/2021, que substitui a antiga Portaria 2.914/2011.
Sistemas de filtragem, cloração automática e analisadores on-line são instalados para uso residencial ou industrial conforme o resultado das primeiras análises. Plano de manutenção preventivo prevê vídeo-inspeção interna, medição de nível estático e dinâmico, e recalibração da bomba submersa. Quando o teor de ferro ou manganês varia mais de 2 ppm entre análises consecutivas, inicia-se retrolavagem e limpeza química do poço.
Quando o poço NÃO vale a pena?
Nem todo terreno é candidato a um poço tubular profundo. Quatro cenários típicos tornam o projeto inviável ou desaconselhável:
- Aquífero raso com salinidade elevada — comum em regiões do semiárido nordestino e em zona litorânea com intrusão salina; água sem tratamento dessalinizador caro.
- Solo com histórico de contaminação por hidrocarbonetos — postos de combustível desativados, antigas indústrias químicas; perfurar pode mobilizar a pluma de contaminação.
- Área densamente edificada com baixa recarga — centro urbano consolidado sem áreas verdes próximas; o aquífero rebaixa rápido e a outorga não é concedida.
- Restrição legal específica — bacia hidrográfica em estado crítico declarado pela ANA ou pelo órgão estadual; outorgas suspensas por tempo determinado.
Em nossos laudos de campo, quando o estudo geofísico aponta inviabilidade, isso é economia, não frustração — evita o investimento de R$ 70.000 a R$ 100.000 em um furo seco ou com água ruim. O estudo prévio paga várias vezes seu próprio custo.
Quando o poço não vale, alternativas técnicas viáveis incluem captação de água de chuva com cisterna dimensionada para o consumo, reúso de efluentes tratados (CONAMA 357/2005 para reúso restrito), e sistemas mistos (poço para uso não-potável + concessionária para potável).
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre poço artesiano e poço tubular profundo?
Tecnicamente, poço artesiano é aquele cujo aquífero confinado tem pressão suficiente para a água jorrar acima da superfície do terreno sem bombeamento — é uma característica do aquífero, não do método de perfuração. Poço tubular profundo é o termo normativo da ABNT (NBR 12.212/12.244) para qualquer poço construído por perfuração mecânica com revestimento. No uso popular brasileiro, "artesiano" virou guarda-chuva para qualquer poço profundo, mesmo que precise de bomba submersa — que é a regra geral.
Quanto custa furar um poço artesiano de 150 metros em 2026?
No Sudeste em 2026, a faixa típica varia de R$ 52.500 a R$ 127.500 para 150 m, dependendo da litologia. Em terreno sedimentar puro (como os aquíferos Bauru ou Guarani), o orçamento fica em torno de R$ 82.500 a R$ 127.500, pois exige revestimento e filtros em toda a extensão do poço. Em terrenos mistos, o custo oscila entre R$ 60.000 e R$ 97.500. Já no cristalino maciço puro, onde a rocha é aberta e exige menos tubulação protetora, o custo total para 150 m costuma ficar entre R$ 52.500 e R$ 75.000, com o preço por metro variando de R$ 350 a R$ 850 conforme a dureza do maciço rochoso.
Quanto tempo demora para perfurar um poço artesiano?
A perfuração em si dura 4 a 9 dias de campo para um poço de 150–200 m, dependendo da litologia (arenito 4–5 dias, basalto 6–7, cristalino 8–9). Somando o desenvolvimento, o bombeamento de teste e a cloração, fica em torno de 7 a 12 dias úteis no canteiro. Mas o ciclo completo, incluindo estudo hidrogeológico e licenças (LP, LI, outorga), leva de 60 a 90 dias desde o primeiro contato até a água potável saindo na torneira.
Preciso de outorga para perfurar um poço no meu terreno?
Sim, em quase todos os casos. A outorga de uso de águas subterrâneas é exigida pela Lei 9.433/1997 e regulamentada pela ANA (federal, para bacias da União) ou pelo órgão estadual — DAEE em São Paulo, IGAM em Minas Gerais, SEMAD em Goiás, AGUASPARANÁ no Paraná. Há isenção em alguns estados para vazões muito pequenas (uso doméstico unifamiliar abaixo de certo limite), mas mesmo nesses casos é obrigatório o cadastro do poço no SIAGAS (CPRM/SGB). Perfurar sem outorga configura infração administrativa e pode levar à interdição do poço.
Como escolher uma empresa de perfuração confiável?
Três pré-requisitos não negociáveis: (1) geólogo responsável com ART do CREA ativa; (2) equipe certificada em NR-22, NR-18, NR-35 e NR-12 (normas regulamentadoras de mineração, canteiro, altura e máquinas); (3) contrato com vazão mínima formalizada e plano de manutenção com vídeo-inspeção anual. Solicite portfólio com obras em litologia similar ao seu terreno e contatos para visita técnica. Diferença de preço grande costuma significar etapa cortada (lacre sanitário, bombeamento de teste, ensaios).
Quando o poço artesiano NÃO vale a pena?
Quatro cenários típicos: aquífero raso com salinidade elevada (semiárido, zona litorânea), solo com histórico de contaminação por hidrocarbonetos (postos antigos, indústrias químicas), área urbana densamente edificada com baixa recarga (centro consolidado sem áreas verdes próximas) e bacia em estado crítico com outorgas suspensas pelo órgão regulador. Em todos esses casos, o estudo geofísico prévio detecta a inviabilidade e economiza R$ 70.000 a R$ 100.000 que seriam gastos em furo seco ou água ruim.
O que é o lacre sanitário e por que ele importa tanto?
O lacre sanitário é a cimentação do espaço anular (entre o tubo de revestimento e a parede do furo) com pasta de cimento API classe G, exigida pela NBR 12.244 da ABNT. Sua função é isolar o aquífero captado das águas superficiais e dos aquíferos rasos contaminados, evitando que infiltrações comprometam a potabilidade. É o mesmo padrão técnico que o British Geological Survey (BGS) exige no Reino Unido — não é detalhe brasileiro. Pular o lacre economiza 3% no orçamento e compromete a vida útil e a segurança da captação de forma permanente.
Próximo passo: aprofunde sua decisão
Este guia cobriu as 8 etapas, o cronograma e a faixa de custo de um poço tubular profundo no Brasil. O passo lógico seguinte é entender as decisões técnicas de projeto que determinam se o poço vai durar 30 anos ou começar a colmatar em 5 — escolha de diâmetro, especificação de filtros, profundidade de selo sanitário, dimensionamento da bomba. Tudo isso está detalhado no e-book oficial Aqua Liber.
Sobre a Aqua Liber
A Aqua Liber é uma empresa de engenharia hídrica fundada em 2021 e sediada em São Bernardo do Campo (SP), com equipe técnica reunindo 15+ anos de experiência em locação geofísica e perfuração de poços tubulares profundos. Realizamos centenas de laudos geofísicos em SP, MG, PR e GO, integramos projeto + licenciamento + perfuração + ETA modular em contrato único, e emitimos ART-CREA para cada laudo e cada projeto. Acompanhe nossos casos técnicos no canal @AquaLiber no YouTube e a análise contínua do setor no perfil @aqualiber.insta no Instagram.
Pronto para investir com previsibilidade?
A Aqua Liber entrega o ciclo completo — análise geofísica (CE+SEV) + laudo hidrogeológico + projeto de captação + perfuração + outorga + ETA modular quando o uso é potável — com garantia formal de devolução do investimento em locação caso a perfuração não confirme o projeto geofísico apresentado. É o que separa orçamento previsível de furo seco.
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Referências:
· ABNT NBR 12.212 — Projeto de poço tubular para captação de água subterrânea
· ABNT NBR 12.244 — Construção de poço tubular para captação de água subterrânea
· Ministério do Trabalho — NR-22 Segurança e Saúde Ocupacional na Mineração
· IBAMA — Resolução CONAMA nº 430/2011 (texto integral)
· USGS — Groundwater Wells (Water Science School)
· British Geological Survey — Borehole drilling and deposit guidance
· ANA — Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico
· Olhar Digital (abr/2026) — Quanto custa perfurar um poço artesiano em 2026
· Aqua Liber — Como achar veia de água: métodos populares e a solução científica
· Aqua Liber — Investigação geofísica de alta precisão: estudo geofísico aplicado
· Aqua Liber — Como escolher a melhor empresa de poços artesianos
· Aqua Liber — Poço artesiano preço 2026: tabela de custos atualizada